quarta-feira, 17 de março de 2010

Como Era a Cidade de Colossos


Colossos ou Colossas era uma antiga cidade da Frígia, situada na margem esquerda do rio Lico. Distava 200 km de Éfeso e uns 15 km de Laodicéia e 20 km de Gerápolis (Hierápolis). As três cidades estavam situadas na região sul da Frígia. No I século tinha em torno a 200 mil habitantes.

Os escritores gregos, Heródoto e Xenofonte, descrevem Colossos como a mais bela, rica e importante cidade da região. Por ela passava uma importante estrada que unia Éfeso à Cilícia e à Síria. Por ali passaram os exércitos dos reis persas Ciro e Xerxes em suas conquistas da Ásia Menor. A região circunvizinha era rica em pasto; daí a grande criação de gado miúdo. Colossos era importante porque nela havia uma grande indústria de lã.

Porém, a partir de 250 aC, a cidade foi perdendo importância, pois Antíoco II Theós fundou sobre a antiga cidade chamada Dióspolis ou Roas, a cidade de Laodicéia em honra de sua mulher Laódice. A nova cidade, distante apenas 16km de Colossos, tornou-se uma importante sede de uma escola de médico-oculistas (Ap 3,8) e anos mais tarde tornou-se a capital do distrito.

Toda essa região tornou-se depois domínio do rei Átalo III de Pérgamo, que em 133 aC deixou seu reino para os Romanos. Em 129 aC a Frígia tornou-se parte da Província Romana da Ásia.

Assim, na época de Paulo, Colossos era uma pequena e insignificante cidade da Ásia. Pelo ano de 60/61 aC, durante o império de Nero, as três cidades, Colossos, Laodicéia e Gerápolis, foram destruídas por um terremoto que assolou todo o vale do rio Lico.

As cidades foram reconstruídas, mas a primazia coube a Laodicéia e Gerápolis. Gerápolis tinha se tornado um importante centro por causa de suas águas termais. Em 628, a cidade foi novamente destruída por outro terremoto e nunca mais foi reconstruída. Seus habitantes fundaram uma nova cidade 4km ao norte com o nome de Khonas.

O povo frígio era propenso ao misticismo e à fantasia. Praticava um culto supersticioso aos anjos e demônios que existia ainda no século IV como demonstram as atas do Concílio de Laodicéia.

Na região havia também um grande número de judeus. Segundo Flavio Josefo (Ant. XII,
147-153), o procônsul romano Valério Flacco (61-62 aC) seqüestrou o dinheiro dos judeus recolhido para o Templo de Jerusalém (por isso foi processado e deposto). Foi dessa região que saiu o fundador dos montanistas, um antigo sacerdote de Cibele convertido ao cristianismo. O culto principal era o de Cibele. Porém, graças ao trabalho dos colaboradores de Paulo, a região tornou-se profundamente cristã e muito unida ao apóstolo Paulo.

2. A comunidade de Colossos
Segundo os Atos dos Apóstolos, Paulo evangelizou a Frígia em duas ocasiões: na sua
segunda viagem missionária quando percorreu a região norte indo da Psídia para a Galácia (At16,6); e na terceira viagem ao dirigir-se para Éfeso (At 18,23).

Porém, baseados em Cl 2,1, podemos deduzir que ele nunca esteve em Colossos e
Laodicéia. Por conseguinte, essas comunidades não foram fundadas diretamente por ele. Foram seus colaboradores que evangelizaram a região sul da Frígia.

As Igrejas de Colossos e as de Laodicéia e Gerápolis foram fundadas por Épafras, um
colossense. Provavelmente com Filemon, um outro colossense, e Ninfas, natural de Laodicéia, encontrou Paulo em Éfeso e se converteu. Paulo o chama de “nosso amigo e companheiro de serviço...” (Cl 1,7).

Não sabemos se Épafras fundou as comunidades cristãs de Colossos e das cidades vizinhas a mando de Paulo ou não. O certo é, que ele mantém Paulo sempre informado sobre a comunidade (Cl 1,9) e recorre ao Apóstolo para superar as dificuldades que surgem. De outro lado, Paulo fala e age com a consciência de ter autoridade sobre a comunidade como se fosse ele o fundador.

A única fonte de informação sobre a comunidade de Colossos é a própria carta. Dela resulta que a Igreja de Colossos era composta em sua grande maioria por cristãos provenientes do paganismo (Cl 1,21-27; 2,13). Porém, devia haver uma percentagem de judeu-cristãos.

Épafras devia ser de origem pagã.

Também as comunidades de Laodicéia e Gerápolis deviam ter a mesma constituição.
Convém notar que Laodicéia é recordada no Apocalipse (Ap 3,14) e ali se celebrou um concílio no final do século IV.

N.B.: O cristianismo, além da Frígia, floresceu também na Misia e Lídia. As comunidades de

Pérgamo, Esmirna, Sardes, Filadélfia e Tiatira serão Igrejas ativas no final do século I. Não sabemos nada sobre suas fundações. Porém, podemos supor que elas também nasceram durante o ministério efesino de Paulo.

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